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“Contende ardentemente pela fé que uma vez foi dada aos santos.” (Judas 3, ARA)

Toda geração da Igreja precisou, em algum momento, colocar no papel aquilo que já cria de coração — não para inventar uma nova fé, mas para confessar, com clareza, a fé antiga, a mesma que os apóstolos pregaram, os pais da Igreja defenderam e os reformadores, séculos depois, resgataram do pó das tradições humanas. É nessa mesma linha, humilde e firme ao mesmo tempo, que o Gratia5 apresenta esta Declaração de Fé.

Não escrevemos para impressionar, mas para sermos transparentes: eis o que cremos, eis o fundamento sobre o qual cada devocional, cada estudo e cada palavra publicada aqui está edificado.


1. Das Sagradas Escrituras

Cremos que a Bíblia — Antigo e Novo Testamento — é a Palavra de Deus escrita, inspirada em todas as suas partes, infalível em tudo o que ensina e suficiente para a fé e a prática do crente. Nela, e somente nela, Deus revelou tudo o que é necessário para a Sua glória, para a salvação do homem, e para a fé e a vida cristã.

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça.” (2 Timóteo 3:16, ARA)

Como ensinaram os reformadores, a Escritura é a norma normans — a regra que não é regida por nenhuma outra, mas que regula toda doutrina, toda tradição e toda experiência humana, inclusive a nossa.

2. Do Deus Único e Trino

Cremos em um só Deus, eterno, infinito, imutável em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade — existente eternamente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, iguais em substância, poder e glória.

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4, ARA)

Este Deus não é uma força distante nem uma ideia abstrata: é Pai que adota, Filho que redime e Espírito que santifica — um só Deus, três pessoas, em comunhão eterna e perfeita.

3. Da Criação e da Queda

Cremos que Deus criou todas as coisas do nada, por Sua livre vontade, para Sua própria glória — e que o homem, criado à imagem de Deus, em estado de retidão, caiu voluntariamente em pecado pela transgressão de Adão, nosso representante federal. Dessa queda, toda a humanidade herdou uma natureza corrompida, incapaz, por si mesma, de agradar a Deus ou de buscar a salvação.

“Não há justo, nem um sequer.” (Romanos 3:10, ARA)

Esta não é uma doutrina para humilhar por humilhar, mas para que, reconhecendo a profundidade da queda, possamos admirar ainda mais a altura da graça que nos alcançou.

4. De Jesus Cristo e da Redenção

Cremos que Jesus Cristo, a segunda pessoa da Trindade, se fez homem, permanecendo plenamente Deus, nascido da virgem Maria, e viveu vida perfeita e sem pecado em nosso lugar. Cremos que morreu na cruz como substituto dos pecadores, satisfazendo plenamente a justiça de Deus, e ressuscitou corporalmente ao terceiro dia, vencendo o pecado, a morte e o poder do Diabo.

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5:8, ARA)

Não há outro nome dado aos homens, debaixo do céu, em que possamos ser salvos.

5. Da Salvação pela Graça, Mediante a Fé

Cremos que a salvação é obra soberana e graciosa de Deus do início ao fim — não fruto de mérito humano, mas dom gratuito, recebido unicamente pela fé em Cristo. Deus, antes da fundação do mundo, elegeu para Si um povo, não por causa de qualquer obra prevista neles, mas segundo o beneplácito de Sua vontade; e aqueles a quem Deus chama eficazmente, Ele também guarda, para que perseverem até o fim, não por força própria, mas pela fidelidade Daquele que os chamou.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:8, ARA)

Aqui está o coração da fé reformada: a salvação começa, se desenvolve e se consuma pela graça — de Deus para o homem, e nunca o contrário.

6. Da Igreja

Cremos na Igreja una, santa, católica (universal) e apostólica — o corpo de Cristo, composto por todos os que, em toda época e lugar, foram unidos a Ele pela fé. Cremos também na igreja local, visível, onde a Palavra é fielmente pregada, os sacramentos corretamente administrados e a disciplina exercida com amor e zelo pastoral, conforme o padrão que a Reforma resgatou das Escrituras.

“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18, ARA)

7. Dos Sacramentos

Cremos em dois sacramentos instituídos por Cristo para Sua Igreja: o Batismo, sinal e selo da nossa incorporação a Cristo, da remissão de pecados e do nosso compromisso de pertencer ao Senhor; e a Ceia do Senhor, memorial da morte de Cristo e comunhão espiritual real com Ele, a ser recebida com fé, exame próprio e ação de graças.

8. Das Últimas Coisas

Cremos na volta pessoal, corporal e visível de Jesus Cristo, quando ressuscitará os mortos, julgará todos os homens com justiça, e estabelecerá plenamente Seu Reino eterno. Os que morrem em Cristo entram imediatamente em Sua presença, aguardando a ressurreição do corpo para a vida eterna; os que O rejeitam enfrentarão o justo juízo de Deus.

“Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que hei de dar a cada um segundo a sua obra.” (Apocalipse 22:12, ARA)


Por que confessamos assim

Não pretendemos, com esta declaração, esgotar as riquezas da fé cristã, tampouco substituir as grandes confissões históricas da Igreja Reformada — como a Confissão de Fé de Westminster e os Catecismos, que você encontra em detalhe aqui no Gratia5. Esta é apenas uma síntese, um retrato do rosto doutrinário deste ministério, para que você saiba, com transparência, sobre que fundamento estamos construindo.

Que esta confissão não fique apenas no papel, mas habite o coração — porque, como já ensinava Calvino, o verdadeiro conhecimento de Deus nunca é estéril: gera adoração, gera obediência, gera vida transformada.

“Guarda o depósito que te foi confiado.” (1 Timóteo 6:20, ARA)


Gratia5 — Devocionais e estudos para fortalecer sua fé na soberania e fidelidade de Deus.